Venda de canetas para emagrecimento dispara, mas descarte ainda gera dúvidas entre consumidores
08 de Abril de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde
A comercialização dos medicamentos análogos ao GLP-1 — popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras — registrou crescimento de 25,5%, segundo dados do Sindusfarma. Em 2024, foram vendidas mais de 4,6 milhões de unidades, número que saltou para cerca de 5,8 milhões em 2025, considerando apenas produtos comercializados de forma regular.
Apesar da alta procura, especialistas alertam para um problema ainda pouco discutido: o descarte inadequado desses materiais. Resíduos farmacêuticos podem contaminar o solo e a água, além de gerar impactos à saúde pública, como resistência microbiana e alterações hormonais no ambiente.
Outro ponto crítico envolve a estrutura das canetas, que incluem componentes como plástico, vidro e agulhas. Dependendo do modelo, esses itens podem vir acoplados ou separados, o que torna o descarte ainda mais complexo, já que cada material exige um destino específico.
Além disso, as agulhas são classificadas como resíduos perfurocortantes, o que impede seu descarte junto ao lixo comum ou até mesmo com outros medicamentos. A falta de informação e de pontos de coleta acessíveis agrava a situação, principalmente em regiões mais afastadas dos grandes centros.
Especialistas destacam que muitos estabelecimentos não possuem coletores apropriados e que a população, em geral, não recebe orientação adequada sobre os riscos ambientais e sanitários desse tipo de descarte.
Embora existam normas técnicas e regulamentações, como a RDC 222/2018 da Anvisa e a NBR 17059 da ABNT, ainda há lacunas quando se trata do descarte doméstico desses resíduos. A legislação atual não contempla totalmente dispositivos com agulhas utilizados em casa, o que dificulta a padronização das práticas.
Iniciativas regionais e programas de logística reversa começam a surgir, mas ainda são concentrados em determinadas áreas do país. Especialistas defendem a ampliação de políticas públicas, campanhas educativas e estrutura de coleta para garantir o descarte seguro desses materiais.
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