Terreiro de Alagoinhas sofre intolerância religiosa por grupo de religiosos
28 de Maio de 2019 - Redação Pernambués agora
Não havia nenhuma função religiosa acontecendo no Ilê Asé Oyá L’adê Inan. Na noite desta segunda-feira (27), apenas a ialorixá do terreiro, Roselina Barbosa, conhecida como Mãe Rosa de Oyá, e sua irmã estavam no local, que fica em Alagoinhas, no Nordeste do estado.
Isso porque, além do espaço ser um templo religioso, também é a casa da sacerdotisa.
Mas foi justamente em um momento em que a maioria dos filhos de santo da casa estava longe, que o terreiro sofreu o mais violento ataque de seus 10 anos de história. Por volta das 23h30, um grupo de cerca de 50 pessoas seguiu até a frente do Ilê Asé Oyá L’adê Inan. Gritando frases como ‘Satanás vai morrer’ e ‘Vamos invocar Jesus para fechar a casa de Satanás’, membros do grupo batiam com uma Bíblia na porta do terreiro.
Por cerca de 20 minutos, fizeram uma espécie de “culto” diante da casa de candomblé. Em vez de palavras de paz e tolerância, contudo, vieram ataques diretos à religião de matriz africana.
“Eles fizeram um escândalo, gritando pela rua e chamando atenção do bairro inteiro. Esperaram o terreiro esvaziar, porque no fim de semana todo tinha gente lá, para pegar a pessoa dormindo, desprevenida e sem poder se defender. É uma atitude fria, de racismo religioso, para que a gente tenha medo de cultuar nossos antepassados”, afirmou a yakekerê (mãe pequena) do terreiro, Fernanda Júlia Onisajé, também filha biológica da ialorixá.
Durante todo o período em que as pessoas estiveram lá, a mãe de santo, Mãe Rosa, ficou dentro de casa. Com medo, ela e a irmã preferiram não sair do local até que o grupo não estivesse mais lá. Mesmo assim, um dos filhos de santo da casa, que mora na mesma rua, conseguiu registrar, à distância, alguns instantes da ação do grupo.
No vídeo, a pessoa que gravou diz que um grupo de evangélicos está na frente da casa de Mãe Rosa, fazendo uma oração na rua. Nas imagens, é possível ouvir gritos e ver um grupo de pessoas andando de um lado para o outro.
A testemunha já teria identificado o nome da igreja, do pastor e de alguns dos envolvidos. A yakekerê prefere, porém, não divulgar as identidades até que tudo seja confirmado.
“Nunca sofremos nada nesse formato. Tem aquele ataque cotidiano de ser abordado na rua. Essas coisas acontecem. Mas algo com essa violência, não. Foi tão violento que uma de nossas vizinhas, evangélica, chegou a passar mal”, diz Fernanda.
Além disso, o grupo religioso pode ser indiciado como organização criminosa. "Houve turbação da ordem social e há uma gama de infrações penais que emergem desse caso e todas apontam para a o crime de racismo religioso".
A Frente Nacional Makota Valdina emitiu uma nota se solidarizando com o Ilê Asé Oyá L’adê Inan. No texto, a entidade destaca o racismo institucional e a violação do respeito ao livre exercício de culto e da garantia de proteção aos locais de culto. Eles pedem que órgãos públicos competentes tenham atenção para o caso.
“Salientamos que estes e todos os casos de violência contra os nossos terreiros precisam ser combatidos de todas as formas, com medidas de proteção, políticas públicas, ebós coletivos e interpelação judicial para que seja exigido o respeito às tradições de matriz africana”.
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