iFood aciona Justiça contra ex-executivos e aponta uso indevido de dados em disputa com a 99Food
16 de Dezembro de 2025 - Redação Pernambués agora
Foto: Divulgação
O iFood passou a recorrer à Justiça contra ex-executivos que deixaram a empresa e migraram para a 99Food, plataforma recém-relançada pela companhia chinesa 99. A líder do mercado de delivery suspeita do uso indevido de dados confidenciais em negociações com restaurantes, em meio ao acirramento da concorrência no setor.
Proprietários de estabelecimentos que mantêm contratos de exclusividade com o iFood relataram que, em reuniões promovidas pela 99Food, foram apresentados dados detalhados sobre faturamento, tíquete médio, multas contratuais e vigência dos acordos. Essas informações, segundo o iFood, seriam de acesso restrito à plataforma e aos próprios parceiros comerciais.
Em nota, a empresa afirmou ter identificado o uso ilegal de informações sigilosas relacionadas a seus restaurantes parceiros. Já a 99 declarou que trata esse tipo de denúncia com seriedade, afirmou não tolerar condutas irregulares e disse estar confiante de que suas práticas seguem a legislação vigente.
A disputa ocorre em um contexto de intensificação da concorrência no mercado de entregas, impulsionada pela retomada das operações da 99 no setor e pela entrada de novos players, como a chinesa Keeta. O embate envolve acusações de espionagem corporativa, uso indevido de dados e assédio a profissionais de empresas concorrentes.
Nos últimos meses, ao menos cinco ex-funcionários do iFood que migraram para a 99 passaram a responder a ações judiciais. Em um dos casos, um ex-executivo havia assinado um acordo de não concorrência, que previa a proibição de atuar em empresas rivais por seis meses, com compensação financeira no mesmo período. A Justiça chegou a determinar seu desligamento imediato da 99, sob pena de multa diária.
Em outro episódio, um ex-colaborador foi alvo de mandado de busca e apreensão no interior de São Paulo. Dispositivos eletrônicos foram recolhidos para perícia, após suspeita de transferência de dados internos para equipamentos pessoais. O processo corre sob sigilo, e as investigações seguem em andamento.
Especialistas em direito do trabalho ressaltam que profissionais podem levar consigo experiências e conhecimentos adquiridos ao longo da carreira, mas não podem compartilhar segredos comerciais, dados de clientes, contratos ou informações financeiras sensíveis, sob pena de responsabilização civil e criminal por concorrência desleal.
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