Educação

Brasil pode levar 16 anos para reduzir totalmente desigualdade racial na conclusão do ensino médio, indica estudo

19 de Novembro de 2025 - Redação Pernambués agora
[Brasil pode levar 16 anos para reduzir totalmente desigualdade racial na conclusão do ensino médio, indica estudo]

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Brasil ainda deve levar cerca de 16 anos para eliminar as disparidades raciais e socioeconômicas na conclusão do ensino médio, caso mantenha o mesmo ritmo de avanço registrado nos últimos dez anos. A estimativa é de um relatório do Todos Pela Educação, divulgado nesta segunda-feira (17).
O estudo, baseado em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela que 1 a cada 4 jovens de até 19 anos está fora da escola sem ter terminado a educação básica. Entre os principais motivos estão a necessidade de trabalhar e a perda de interesse pelos estudos.
As informações também apontam desigualdades significativas entre os grupos raciais. Enquanto 69,5% dos jovens pretos, pardos e indígenas concluem o ensino médio até os 19 anos, entre brancos e amarelos esse índice sobe para 81,7%.
Há dez anos, essa diferença era ainda mais profunda: 66,3% entre jovens brancos e apenas 46% entre jovens negros.
Segundo o relatório, o país reduziu a desigualdade racial, em média, apenas 0,8 ponto percentual por ano. Mantido esse ritmo, a equiparação completa deve ocorrer somente em 16 anos.
“O país avançou, mas não o suficiente para garantir que todos concluam a educação básica. Precisamos reforçar políticas que assegurem permanência, aprendizado e equidade, especialmente para os mais vulneráveis”, afirma Manoela Miranda, gerente de políticas educacionais da organização.
As desigualdades sociais também são marcantes: entre os jovens mais pobres, somente 60,4% completam o ensino médio até os 19 anos, enquanto o índice chega a 94,2% entre os mais ricos.
Uma das iniciativas citadas como possível aceleradora desse processo é o programa Pé de Meia, criado para reduzir a evasão motivada pela necessidade de renda. O programa concede R$ 200 mensais aos estudantes, além de R$ 1.000 por ano concluído e um bônus de R$ 200 pela participação no Enem — valores que só podem ser sacados após a formatura.
Até o fim de 2024, o Pé de Meia havia alcançado 3,95 milhões de estudantes, o que representa 50,6% das matrículas do ensino médio no período

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