"Depressão não é frescura", diz psicólogo sobre altos índices da doença no Brasil e mundo: "tempos difíceis"
25 de Julho de 2022 - Portal M!
O psicólogo Sérgio Manzione pontuou nesta segunda-feira (25), que essa 'pandemia' já é vivida no Brasil mesmo antes da Covid e que a crise sanitária só fez agravar o problema já existente em solo brasileiro.
Há quem pense que após a pandemia de Covid-19 que assolou o planeta entre 2020 e 2021, que agora há uma 'pandemia de saúde mental' por conta do aumento em 25% do número de casos de depressão e ansiedade no mundo, segundo levantamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). O psicólogo Sérgio Manzione pontuou nesta segunda-feira (25), que essa 'pandemia' já é vivida no Brasil mesmo antes da Covid e que a crise sanitária só fez agravar o problema já existente em solo brasileiro.
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2019, apontou que, pelo menos, 10,2% das pessoas com 18 anos ou mais receberam o diagnóstico de depressão. O índice foi maior do que o encontrado em 2013 na mesma pesquisa, que foi de 7,6%. De acordo com a PNS, os números de 2019 representam 16,3 milhões de pessoas, com maior prevalência na área urbana (10,7%) do que rural (7,6%).
Em 2021, a Pesquisa Vigitel 2021, que é um dos mais amplos inquéritos de saúde do país, apontou uma média de que 11,3% da população brasileira relatou ter recebido um diagnóstico médico da doença. A frequência foi maior entre as mulheres, com 14,7% se comparado aos homens em 7,3%.
Em 2022, a OMS informou que o número de casos de transtornos de ansiedade aumentou 25,6%, e os de depressão, 27,6%, no ano retrasado. A pasta de saúde internacional também apontou que a pandemia trouxe lacunas no acesso a tratamento em saúde mental. "Estamos falando de ser o primeiro país no mundo em casos de ansiedade, dentre 193 países estados membros da ONU. Isso preocupa muito e houve um agravamento do número de suicídios no Brasil. Em 2021 a gente teve 14 mil mortes e esse número também já vem dobrando ao longo dos 20 anos", disse Sérgio Manzione.
"Nós já vivemos essa pandemia relacionada à saúde mental há muito tempo. Para se ter uma ideia, em 2017, a Organização Mundial de Saúde estimava que existam no mundo 300 milhões de pessoas com depressão. Ela também estima que há, mais ou menos, 1 bilhão de pessoas com doenças mentais mais graves", acrescentou, durante entrevista ao Portal M!.
"Transtorno de humor como ansiedade e depressão atinge uma população imensa. Então, a gente vive tempos difíceis, de fato, e em 2017 ela já estimava 300 milhões de pessoas e ainda dizia mais, que em 2020 a depressão seria a maior causa de afastamento do trabalho e isso se agravou depois com um aumento de, pelo menos 10% dos casos, e chegamos onde nós estamos hoje: o Brasil com o terceiro lugar no número de casos de depressão (12 milhões de pessoas) e com o maior número de casos de ansiedade (28 milhões de casos)", completou o psicólogo.
Segundo o especialista, entre os grupos que mais têm se descatado como sucetíveis à depressão e, consequentemente, ao suicídio, são indígenas, LGBTQIA+, policiais, bancários, idosos e médicos. "Cada vez que me fazem essa pergunta eu vou aumentando mais a resposta porque todo mundo hoje está propenso a ter algum tipo de problema até porque não tem como dissociar a saúde mental da saúde pública, das questões de desenvolvimento socioeconômico e também direitos humanos. Ou seja, quando se tem tudo isso misturado, se está mais propenso a atingir isso", pontuou.
Ele explicou que os casos são recorrentes entre os índios por conta do alto consumo de ácool, o que leva a depressão e até ao suicídio. No caso do LGBTQIA+ e as minorias étnicas, pelas próprias pressões de uma sociedade machista, preconceituosa, intolerante, porque a ignorância é a mãe do preconceito, isso vai trazer problema a todo o tempo e quando se tem um incentivo a isso é pior ainda".
"Já os policiais, são um grupo bastante afetado porque lidam com a violência, com casos extremos. Um policial tem oito vezes mais chance de cometer um suicídio do que os outros grupos da sociedade. São números excessivamente altos. Médicos e demais profissionais da área de saúde também podem ter esse tipo de situação de risco maior, porque acabam lidando com muitos problemas e gera um fenômeno da desumanização", disse.
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