Registros indicam que problemas ambientais em São Tomé de Paripe podem ter origem em operações antigas
06 de Março de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Internet
A divulgação de um laudo preliminar do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que identificou a presença de cobre e nitrato na praia de São Tomé de Paripe, em Salvador, trouxe novamente à tona o debate sobre impactos ambientais na região. Informações históricas e registros anteriores, porém, indicam que as ocorrências na área podem estar relacionadas a atividades industriais realizadas antes da atual gestão do terminal portuário.
Segundo o Inema, a investigação foi iniciada após moradores relatarem o surgimento de líquidos com coloração azulada e amarelada na faixa de areia da praia. Técnicos do órgão realizaram vistorias nos dias 20, 24 e 26 de fevereiro, coletando amostras em diferentes pontos da orla.
A análise preliminar apontou níveis elevados de nitrato e cobre, o que levou à decisão de interditar temporariamente o trecho para banho enquanto as investigações continuam.
Nas redes sociais, parte das críticas acabou direcionada à atual administradora do terminal portuário, a Intermarítima. A empresa, no entanto, afirmou que não utiliza nem armazena produtos químicos perigosos no local e que não opera com os materiais citados no relatório inicial. A companhia também declarou apoio às investigações conduzidas pelos órgãos ambientais e afirmou estar à disposição para colaborar com o processo de apuração.
Antes da gestão atual, a área foi ocupada por outras operações industriais, incluindo atividades ligadas à empresa Gerdau, que em diferentes momentos já foi alvo de questionamentos e denúncias envolvendo impactos ambientais. De acordo com relatos e registros históricos, substâncias semelhantes às apontadas no laudo integravam cadeias produtivas das atividades desenvolvidas anteriormente na região.
Especialistas destacam que a definição da origem dos resíduos depende de estudos mais aprofundados, incluindo análises laboratoriais adicionais, rastreamento técnico da contaminação e avaliação histórica das operações realizadas no local. Esse tipo de investigação considera também a existência de possíveis passivos ambientais acumulados ao longo dos anos.
Enquanto o laudo final não é divulgado, o caso permanece sob investigação. O Inema informou que novas análises poderão ser realizadas para identificar com maior precisão a origem dos compostos encontrados e eventuais responsabilidades.
Moradores e lideranças comunitárias seguem acompanhando o caso e cobram transparência no processo, reforçando a importância de uma apuração técnica detalhada para evitar conclusões precipitadas sobre a responsabilidade pelo episódio.
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