Estudo aponta que fatores sociais e estruturais influenciam alta taxa de cesarianas no Brasil
16 de Julho de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
Uma pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revelou que a elevada quantidade de cesarianas realizadas no Brasil vai muito além da decisão individual das gestantes. Segundo o levantamento, aspectos psicológicos, sociais e estruturais têm forte influência na definição da via de parto.
O estudo teve como base uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), publicada em 2014, que mostrou que sete em cada dez mulheres desejavam ter parto normal no início da gravidez. A nova análise buscou entender por que grande parte delas acaba passando por uma cesariana.
Intitulada "Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes", a pesquisa ouviu 94 gestantes e puérperas, além de 37 profissionais de saúde, nas cidades de São Paulo (SP) e Belém (PA), contemplando usuários das redes pública e privada.
Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomende que apenas até 15% dos partos sejam realizados por cesariana, o Brasil registra índices superiores a 60%, chegando perto de 90% na rede privada, colocando o país entre os maiores índices do mundo.
O levantamento identificou que fatores como medo da dor, relatos de familiares, acesso à informação, qualidade do pré-natal e disponibilidade de recursos influenciam diretamente a escolha. No SUS, por exemplo, muitas mulheres relataram receber poucas orientações sobre o parto normal e desconheciam a possibilidade de elaborar um plano de parto.
Entre as usuárias da rede privada, o estudo apontou maior preparo e busca ativa por profissionais que respeitassem o desejo pelo parto vaginal. Também foram observadas diferenças no acesso à analgesia, amplamente disponível na rede particular e restrita em grande parte das unidades públicas.
Como parte da iniciativa, o Unicef lançou a campanha "Parto normal. Uma escolha que merece respeito", incentivando gestantes, familiares e profissionais da saúde a refletirem sobre os fatores que interferem na autonomia das mulheres durante a gestação.
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