Regulação de pacientes organiza acesso ao SUS na Bahia e revela desafios da rede de saúde
17 de Março de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Imagem Ilustrativa. Yasmim Marinho / Sesab
Criada para organizar o acesso da população aos serviços de saúde pública, a regulação de pacientes se tornou um dos temas mais debatidos na Bahia. O sistema é responsável por administrar vagas hospitalares e direcionar atendimentos dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), utilizando critérios técnicos para definir prioridades.
Antes da implantação do mecanismo, pacientes que precisavam de atendimento especializado frequentemente enfrentavam longas buscas por vagas em hospitais. Era comum que ambulâncias ou familiares percorressem diferentes unidades até encontrar atendimento disponível, muitas vezes em locais que não possuíam estrutura adequada para o caso.
Com a criação da regulação, os pedidos de atendimento passaram a ser analisados por uma central responsável por avaliar o grau de urgência de cada paciente. Segundo a Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab), a prioridade é definida a partir de critérios como gravidade clínica, risco de agravamento e intensidade do sofrimento.
Entre os protocolos utilizados está o sistema de classificação de Manchester, adotado internacionalmente para determinar a urgência dos atendimentos. O método organiza os pacientes em cinco níveis, que variam de emergência imediata a casos considerados não urgentes.
Para entender melhor o funcionamento desse modelo, a reportagem conversou com o médico Paulo de Tarso, um dos responsáveis pela implantação do sistema de regulação no estado. Ele explicou que a estrutura começou a ser implementada em 2003, inicialmente como um projeto piloto voltado para emergências hospitalares em Salvador.
Na primeira fase, hospitais como o Hospital Geral do Estado e o Hospital Ernesto Simões integraram o sistema, recebendo pacientes encaminhados pelas unidades de emergência da capital.
Com o passar dos anos, o modelo foi ampliado e passou a incluir também a regulação de internações hospitalares e procedimentos ambulatoriais, como consultas e exames especializados.
Segundo o especialista, atualmente existem três grandes eixos de regulação no SUS: urgência e emergência, internação hospitalar e atendimento ambulatorial.
Apesar dos avanços, o médico ressalta que o funcionamento do sistema depende diretamente da disponibilidade de recursos na rede de saúde. Quando há escassez de leitos ou profissionais, a regulação enfrenta dificuldades para atender todas as demandas.
Mesmo assim, ele destaca que a ferramenta trouxe mudanças importantes. “Hoje, o paciente não precisa mais sair procurando vaga. O que circula é a informação sobre o que ele precisa, e a central busca o recurso disponível na rede”, explicou.
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