Estudantes de medicina da rede privada têm desempenho inferior aos das universidades públicas no Enamed
23 de Fevereiro de 2026 - Redação Pernambués agora
Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil
Apesar de apresentarem melhores condições socioeconômicas, alunos concluintes de cursos privados de medicina tiveram desempenho inferior ao dos estudantes da rede pública na maior parte das questões do Enamed, avaliação aplicada pelo Ministério da Educação.
A diferença apareceu em 85 das 90 questões válidas da prova, o equivalente a 94%, conforme análise feita a partir dos microdados do exame. Nas demais perguntas, não houve variação estatisticamente significativa.
Os resultados do Exame Nacional das Escolas Médicas, divulgados em janeiro, revelam que a maioria dos cursos com desempenho considerado insuficiente pertence à rede privada. Das 107 graduações avaliadas com notas 1 e 2, 87 são de instituições particulares, com mensalidades que chegam a R$ 17 mil.
Historicamente, fatores como renda familiar e escolaridade dos pais estão associados a melhores resultados acadêmicos. No entanto, os dados do Enamed mostram que essa lógica não se repete nos cursos de medicina privados.
Mais de 35% dos estudantes dessas instituições têm renda familiar acima de seis salários mínimos, contra 19% na rede pública. Em relação à escolaridade materna, 36% dos alunos da rede privada têm mães com ensino superior, frente a 31% nas públicas.
Mesmo assim, o desempenho inferior reforça questionamentos sobre a qualidade da formação oferecida. Para o professor da USP Mario Scheffer, coordenador do estudo Demografia Médica no Brasil, o fator institucional pesa mais do que o perfil do estudante.
Scheffer aponta que cursos mal avaliados apresentam menor proporção de docentes com doutorado, maior número de alunos por professor e são, em geral, mais recentes e com menor concorrência no ingresso.
A prova contou com cerca de 39 mil participantes, sendo a maioria de instituições privadas. Ainda assim, apenas 61% dos alunos dessas faculdades alcançaram desempenho adequado, contra 81% nas universidades públicas.
O MEC informou que cursos com desempenho insuficiente podem sofrer sanções e destacou que os resultados do Enamed contribuíram para a suspensão do edital de criação de novos cursos de medicina privados neste ano.
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