Estudo identifica possível elo entre o coronavírus e a depressão
21 de Novembro de 2022 - Redação Pernambués agora
Um estudo brasileiro identificou o mecanismo que pode estar por trás de quadros de depressão, ansiedade e perda de memória após infecção pelo coronavírus.
A pesquisa fornece evidências de que o Sars-CoV-2 atinge não só os neurônios, como, principalmente, os astrócitos - que funcionam como uma espécie de bomba de combustível para o cérebro. O fenômeno produziria um efeito em cadeia no sistema nervoso central.
A Covid longa afeta não só pacientes com quadros graves, mas também aqueles que tiveram poucos sintomas. Nas últimas semanas, o país entrou em uma nova onda de Covid, associada a subvariantes da Ômicron.
Com a alta de casos, médicos destacam a importância de atualizar a vacinação e recomendam o uso de máscara em ambientes fechados e de aglomeração, sobretudo por pessoas mais vulneráveis.
Cientistas buscam respostas
"O grande problema que a gente vai vivenciar agora é a Covid longa, tanto é que tem tanta gente querendo entender essa doença", afirmou Thiago Mattar Cunha, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) e coautor do estudo.
Ele conta que, em uma das frentes, os pesquisadores fizeram biópsias de 26 vítimas fatais da Covid e coletaram, além de amostras de pulmão, material cerebral.
Foram detectadas alterações neuronais em cinco dos pacientes analisados, e o Sars-CoV-2 foi identificado no cérebro de todos eles.
"Foi aí que nós identificamos os astrócitos como as principais células que abrigavam os vírus no sistema nervoso central", relembra ele, que explica que os astrócitos não só dão suporte para a célula neuronal, como têm outras funções de apoio. "Qualquer distúrbio que aconteça nos astrócitos afeta, de alguma forma, os neurônios e, consequentemente, o sistema nervoso central", acrescenta.
Após as observações iniciais, os pesquisadores infectaram astrócitos in vitro com o Sars-CoV-2 e observaram que eles podem produzir até substâncias neurotóxicas, que são capazes de matar os neurônios.
O grupo começou a observar, então, que podia haver uma correlação entre o pós-Covid e quadros de perda de memória, depressão e ansiedade, por exemplo. "Pacientes com Covid longa tinham uma redução de massa, ou de tamanho, de determinadas estruturas cerebrais, como córtex pré-frontal e hipocampo", disse Cunha.
O estudo, publicado recentemente na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), além de representantes da USP. As análises, que começaram no primeiro ano de pandemia, compreendem pacientes afetados de diferentes formas pela doença.
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