Estudo aponta eficácia de 100% no uso de remédios para prevenção de HIV
16 de Janeiro de 2018 - Maíra Lima
Pesquisa acompanhou 526 voluntários que passaram a usar o medicamento como estratégia de prevenção.
Um estudo inédito realizado em cinco cidades mostra que o uso de antirretrovirais para prevenir o HIV foi eficaz em 100% dos casos. O trabalho acompanhou 526 voluntários que passaram a usar o medicamento como estratégia de prevenção.
Segundo informações do Estadão Conteúdo, no período avaliado, nenhuma das pessoas que usavam o medicamento contraiu o HIV. "Três infecções foram identificadas, mas entre pessoas que esperavam para iniciar o uso da Prep (terapia pré-exposição)", disse o coordenador do trabalho, o pesquisador Alexandre Grangeiro, da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, o resultado confirma a importância da estratégia e reforça a necessidade de implementação no Sistema Único de Saúde.
Batizado de "Combina!", o estudo financiado pelo Departamento de DST/Aids do Ministério da Saúde, CNPQ e Unesco trouxe uma surpresa relacionada à motivação dos usuários. A maior parte disse estar em busca de qualidade de vida.
Conforme a publicação, o trabalho também revela os desafios que serão enfrentados para garantir a eficácia da estratégia. A começar pelo acesso. A Prep é indicada para pessoas de maior vulnerabilidade para a infecção, como transexuais, profissionais do sexo, homens que fazem sexo com homens e casais em que um dos parceiros é soropositivo e outro não. Os centros que participaram do estudo seguiram essa orientação. No entanto, a maior parte dos voluntários era composta de homens que fazem sexo com homens (93,4%).
Essa diferença no acesso, avalia Grangeiro, precisa ser corrigida. "Se todos os grupos vulneráveis não forem atingidos, a Prep perde parte importante do impacto."
O trabalho trouxe à tona ainda a resistência de parte dos profissionais. "Quase 40% afirmaram que a Prep não era totalmente segura e 43% dizem que preservativos são mais eficazes", destacou o pesquisador. Essas respostas foram dadas mesmo depois de profissionais passarem por treinamento.
Para ele, a oferta da Prep vai provocar nos serviços um aumento da demanda. "O ideal é ajustar o atendimento, estabelecendo atribuições específicas para cada profissional e, sobretudo, reduzindo o tempo de espera das pessoas." Como se trata de uma estratégia de prevenção que é feita por um longo período de tempo, as pessoas não têm como, a cada três meses, perder horas no serviço. "Daí a importância de oferecer horários alternativos: próximo do almoço, aos sábados, à noite."
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