Saúde

Cientistas descobrem analgésico que poderia substituir a morfina

18 de Agosto de 2016 - Aline Mendes

A droga também não provoca problemas respiratórios associados a opioides.

Cientistas anunciaram na quarta-feira (17) uma droga sintética que neutraliza a dor de forma tão eficaz quanto a morfina, mas sem os efeitos colaterais que tornam os opioides tão perigosos e viciantes. Os métodos de big data utilizados pelos pesquisadores também abriram um caminho promissor na inovação de remédios, segundo um estudo publicado na revista científica Nature. Em experimentos com ratos, o novo composto ativou um caminho molecular conhecido no cérebro que desencadeia a supressão da dor. Mas ao contrário da morfina e de outras drogas prescritas, como a oxicodona ou o oxycontin, o composto não ativou um segundo caminho que pode desacelerar ou bloquear a respiração normal. A supressão respiratória causada por opioides resulta em cerca de 30 mil mortes por ano nos Estados Unidos, onde o consumo de opioides assumiu proporções epidêmicas. morfina A nova droga - nomeada PZM21 - não causou dependência nos ratos de laboratório, que ficam viciados em morfina e medicamentos analgésicos tão facilmente quanto os seres humanos. A PZM21, segundo os pesquisadores, oferece "analgesia de longa duração acoplada à eliminação aparente da depressão respiratória". Uma terceira vantagem do novo composto, segundo eles, é que ele não causa constipação. Nos Estados Unidos, remédios que soltam o intestino bloqueado devido ao uso de opioides são anunciados na televisão. O ópio e seus derivados são utilizados para diminuir a dor (e gerar sentimentos de euforia) há mais de 4 mil anos. A maioria desses esforços tentaram ajustar a estrutura química da droga para eliminar os efeitos colaterais. Usando simulações de computador, os pesquisadores testaram três milhões de compostos disponíveis comercialmente - e um milhão de configurações possíveis para cada um - para ver quais se encaixavam melhor com o receptor. Cerca de 2.500 moléculas passaram no teste. Depois de eliminar as que se assemelhavam muito aos opioides, sobraram 23. E apenas um deles, mostrou uma análise mais aprofundada, ativou o "bom" caminho molecular sem desencadear o "mau". A nova pesquisa, acrescentou, foi "um passo em direção à droga perfeita". A PZM21 ainda tem muitos obstáculos a superar antes de aparecer nas prateleiras das farmácias. Fonte G1

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