Servidores da Secretaria de Habitação de Camaçari participaram de fraude que motivou incêndio na Seinfra, diz delegada
14 de Novembro de 2017 - Wesley Sobrinho
Ao que parece, a prisão de cinco suspeitos de atear fogo no prédio da Secretaria de Infraestrutura de Camaçari (Seinfra), resultado de uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar de Camaçari, realizada na noite desta segunda-feira (13), foi apenas a primeira leva de peões tirados do tabuleiro em uma fraude com ramificações complexas que envolvem muito mais pessoas e uma quantidade expressiva de dinheiro adquirido de forma fraudulenta.
Em uma nova entrevista concedida ao radialista Roque Santos, transmitida no programa Bahia no Ar e reproduzida na íntegra na Fanpage, a delegada titular da 18ª Delegacia Territorial (DT – Camaçari), Taís Siqueira, confirmou que o incêndio criminoso foi, de fato, realizado com o intuito de tentar destruir as provas de um crime: um esquema de fraude que consistia basicamente na cobrança indevida de valores para pessoas cadastradas no programa federal Minha Casa Minha Vida, sob a falsa promessa de garantia e contemplação com um imóvel.
“A intenção era destruir provas mesmo, não sabendo que todos os dados já haviam sido digitalizados. As provas estão protegidas”, ressaltou, referindo-se ao equívoco do grupo, detido em flagrando por associação criminosa, ao pensarem que os documentos que os comprometiam estavam apenas em meio físico.
E falando em provas, a análise dos referidos documentos já comprovou que mais pessoas estão envolvidas no golpe. “Os que foram presos não são os cabeças, nós ainda vamos chegar neles. Esse é apenas um dos grupos que recebiam o dinheiro das pessoas. Existia uma hierarquia no esquema de fraude. Já estamos investigando outros nomes, inclusive pessoas que faziam parte da Secretaria de Habitação. Tenho alguns, mas não vou revelar para não atrapalhar a investigação”, contou a delegada.
Taís, no entanto, fez questão de ressaltar que os documentos não apontam qualquer envolvimento por parte dos então gestores das pastas em 2016, ano em que a fraude funcionou, segundo a apuração. “Já tenho convicção de que não chegou ao secretário na época. Trata-se de pessoas que resolveram tirar proveito do sonho das pessoas e o dinheiro retirado dessas pessoas não foi pouco. Uma das flagranteadas falou que repassou 34 mil reais em uma única vez” revelou.
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