Vereadores criticam truculência da STT, mas aprovam pedido de R$ 50 mil para o órgão
29 de Agosto de 2017 - Wesley Sobrinho
A baixa popularidade da Superintendência de Trânsito e Transporte (STT), resultado das denúncias de desrespeito, agressão e aplicação sem critério e excessiva de multas, veio à baila durante a sessão ordinária realizada na manhã desta terça-feira (29), na Câmara de Vereadores de Camaçari. A enxurrada de críticas começou após a leitura de um projeto de lei, enviado à Casa Legislativa pela Prefeitura Municipal, solicitando “crédito adicional especial” de R$ 50.000,00 para o órgão.
O vereador Jackson (PT) foi o primeiro a avaliar o pedido de verba. Ele não economizou no desabafo. “É muita cara de pau do governo mandar um projeto de lei pedindo liberação de verba pra STT. Me faça uma garapa! Eu voto contra!”, disparou. Binho do Dois de Julho (PCdoB) acrescentou: “A STT virou uma indústria de multas. Estão penalizando até motoqueiro por não usar cinto de segurança. Uma desordem total. Também voto contra”. Dentinho (PT) também deixou sua opinião registrada: “A STT não tem vergonha! Quem votar a favor desse projeto está votando contra a população”, resumiu.
As críticas, apesar de ríspidas, já eram esperadas dos membros da oposição. O que surpreendeu foi o fato de alguns governistas também entrarem no compasso, em vez de confrontar as críticas com argumentos em defesa da gestão municipal. O pastor Neilton (PSB) seguiu a mesma linha de raciocínio. “É uma vergonha a forma truculenta e abusiva como a STT atua. Precisamos rever esse projeto. Eu também voto não”, disse. O Bispo Jair (PRB) também votou contra. “Conheço alguém que foi multado enquanto aguardava o portão abrir. Queriam que entrasse com o portão fechado?”, indagou.
A primeira tentativa de defesa o projeto ficou por conta do vereador Gilvan Souza (PR), que pediu que a atenção dos colegas se voltasse especificamente para o assunto tratado no projeto de lei. “Se há casos de agentes batendo nas pessoas, nós iremos discutir sobre isso. Nesse momento, no entanto, não é isso que está sendo apresentado no projeto. Vocês estão marginalizando a discussão. Não se trata de orçamento novo e sim de uma transferência dentro dos recursos da própria STT”, defendeu. Parte da plateia virou as costas em protesto.
Alegando não ter conhecimento suficiente sobre a matéria apresentada para posicionar-se contra ou a favor, o vereador Adalto Santos (PSD) pediu abstenção. “Sei que sou contra o abuso e que sou a favor da fiscalização”, resumiu.
No final das contas, o projeto de lei foi aprovado com nove votos a favor, sete contra e uma abstenção. A finalidade e real origem da verba não foram especificados no pedido de aprovação.
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