Manifestantes substituem gritaria por gesto de repúdio silencioso para não interromper sessão
29 de Agosto de 2017 - Wesley Sobrinho
Depois de duas sessões consecutivas serem encerradas antecipadamente por conta da interferência de manifestantes na Câmara Municipal de Camaçari, a reunião parlamentar desta terça-feira (29) se reconciliou com seu formato tradicional, com início, meio e fim. A realização de uma sessão completa se deve, principalmente, a notável mudança no comportamento da plateia, que adotou meios alternativos de manifestar insatisfação, em vez das tradicionais vaias.
Um dos grupos responsáveis pela gritaria promovida nos dois últimos encontros, o Movimento Camaçari Livre, formado por desempregados que lutam para que 80% das vagas oferecidas pelas empresas do Polo Industrial sejam ocupadas por mão de obra local, mudou de estratégia. Em vez de iniciar mais uma mostra agressiva de bate-boca, decidiram virar as costas quando algum vereador falasse algo que não agradasse.
A ideia foi do líder do Movimento Camaçari Livre, Alex Ferreira, que enxergou na mudança uma alternativa de manifestar o sentimento do grupo sem prejudicá-lo com o atraso na votação de projetos de interesse da coletividade. “E a ideia funcionou. Não interrompemos a votação dos projetos, então não podem atrasar a votação do nosso e colocar a culpa no protesto”, observa.
Não que as “vítimas” da nova modalidade de manifestação tenham aprovado a mudança. Na certa acharam até desrespeitoso, um gesto tão incômodo quanto os conhecidos apupos, mas pelo menos puderam dar seguimento aos discursos.
A postura contida também foi notada entre os estudantes das escolas públicas municipais presentes na plateia. Promoveram certo alvoroço quando ocuparam a recepção da Casa Legislativa, antes da sessão começar, mas permaneceram em silêncio assim que se assentaram diante da plenária.
Projeto – O projeto de interesse do Movimento Camaçari Livre, que indica a criação de uma lei que determine um percentual para contratação de funcionários residentes em Camaçari pelas empresas que operam no Polo Industrial, não foi submetido a votação na sessão desta terça (29), mas foi anunciado que o documento já está pronto e será apresentado para deliberação em breve.
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