Manual do MEC sugere dividir alunos entre capitães do mato e escravos
11 de Fevereiro de 2019 - Redação Pernambués agora
O material foi aprovado pelo Programa Nacional do Livro e Material Didático (PNLD) 2019, por meio do qual o MEC.
Um guia de atividades produzido para as aulas de Educação Física, aprovado pelo Ministério da Educação em 2018, e entregue nas escolas da rede municipal do Rio de Janeiro tem gerado controvérsia. A reportagem é do O Globo.
Segundo a apuração, o livro “Manual do professor para a educação física — 3º ao 5º anos” apresenta, na página 183, uma brincadeira que sugere aos docentes dividir alunos de 8 a 10 anos entre capitães do mato e escravos.
Ainda de acordo com a reportagem, o livro orienta o professor a demarcar com giz um espaço na quadra correspondente ao quilombo, e outro, à senzala. Nessa espécie de pique-pega, os alunos recebem um sinal e, a partir dele, os escravos devem fugir para o quilombo. Uma vez capturados, são conduzidos à senzala pelos capitães do mato. Em seguida, trocam-se as funções.
O material foi aprovado pelo Programa Nacional do Livro e Material Didático (PNLD) 2019, por meio do qual o MEC avalia e disponibiliza materiais às escolas públicas.
O manual também foi motivo de debate nas redes sociais, por encenar a escravidão como uma disputa, subestimando o sofrimento do povo negro durante o período.
Em entrevista concedida à reportagem do O Globo, o historiador da UFBA Rômulo Souza reconhece que o conteúdo que está antes da indicação da atividade é pertinente, mas perde o sentido com a brincadeira proposta.
“A atividade deturpa a própria informação proposta e reafirma uma visão que não pode ser romantizada. Nessa fase da idade, na lógica do polícia e ladrão, facilmente a criança pode ser remetida ao binarismo capitães do mato e escravos”, afirmou à reportagem.
Segundo a reportagem, uma representante da Terra Sul Editora, coordenadora editorial do projeto, alegou que o material passou por uma análise crítica do MEC e que, como manual do professor, contem sugestões sem a carga racista mencionada.
A autora da obra, Roselise Stallivieri, professora de educação física formada na PUC do Paraná e ex-funcionária da Prefeitura de Curitiba, também foi procurada pela reportagem, mas não respondeu. O Ministério da Educação, segundo a reportagem, também não respondeu aos questionamentos.
Comentários
Outras Notícias
Teste molecular no SUS registra 9,9 mil resultados positivos para HPV de alto risco
03 de Novembro de 2026Foto: João Risi / MS
Alexandre Aleluia chega a 35 apoios na Câmara de Salvador após adesão de Muniz
03 de Novembro de 2026Fotos: Câmara Municipal de Salvador
Bahia encosta no G-4 e chega a 44,3% de probabilidade de terminar no G-5
03 de Novembro de 2026Foto: Gleidson Santana / Bahia Notícias
Vitória encerra passagem de Jair Ventura após revés diante do Coritiba
03 de Novembro de 2026Foto: Maurícia da Matta / Bahia Notícias
Escala 5x2 e a dignidade de quem mantém as cidades limpas; o que muda para o trabalhador da limpeza urbana
31 de Outubro de 2026Ana Angélica Rabello é coordenadora-geral do SindilimpBA | FOTO: Luciano Barreto
Acessibilidade e venda de ingressos na Concha Acústica entram na mira do MP-BA
31 de Outubro de 2026Foto: Divulgação / Gov-BA
Vídeos
Vídeo: Bolsonaro dá chilique em entrevista após TSE decretar sua inelegibilidade por 8 anos
30 de Junho de 2023
Motociclista entra em contramão e bate de frente com outra moto no interior da Bahia; veja o...
28 de Fevereiro de 2023