Môa, Raiz Afro Mãe': documentário celebra legado cultural e reforça ancestralidade de mestre baiano vítima de intolerância política
03 de Agosto de 2023 - Redação Pernambués agora
Cinco anos após o crime que fez o multiartista e educador se tornar conhecido internacionalmente, chega aos cinemas, nesta quinta-feira (3), o documentário "Môa, Raiz Afro Mãe".
No dia 8 de outubro de 2018, o nome de Môa do Katendê tomou os noticiários de todo o país após o mestre de capoeira ter a vida interrompida pela intolerância política. Cinco anos após o crime que fez o multiartista e educador se tornar conhecido internacionalmente, chega aos cinemas, nesta quinta-feira (3), o documentário "Môa, Raiz Afro Mãe".
O documentário começou a ser construído e gravado ainda com Môa em vida, em 2018, tendo como base os ensinamentos dele: é preciso "reafricanizar" a juventude, e isso inclui a branquitude. O desejo do mestre sempre foi combater a desigualdade sociorracial por meio da valorização da cultura afro-brasileira.
Além de biográfico, "Môa, Raiz Afro Mãe" se entrelaça com a ascensão das manifestações africanas na Bahia, a exemplo dos afoxé e blocos afro do Carnaval de Salvador, e do desenvolvimento do próprio Carnaval, que perpassa essencialmente pela negritude, principalmente pelos artistas.
O diretor Gustavo McNair conheceu Môa enquanto o multiartista gravava o disco "Raiz Afro Mãe", nome que também batizou o documentário. Foi a partir das histórias e sabedoria do capoeirista que surgiu a proposta de fazer o filme.
"Môa falava muito que era preciso reafirmar a juventude para a gente se conectar com a nossa identidade cultural. Essa obra é também sobre a identidade brasileira".
Última entrevista do artista
O primeiro encontro entre Môa e McNair aconteceu no início de 2018, quando o baiano foi até São Paulo para se reunir com uma produtora de áudio. Na época, ele queria regravar algumas de suas músicas em uma roupagem mais moderna, para atingir o público jovem.
Foram os donos da empresa que apresentaram os dois, e o produtor prontamente se interessou por contar a história do "Moço lindo do Badauê", homenageado pelo amigo Caetano Veloso na letra da icônica música Beleza Pura.
Ao longo de todo aquele ano, houve muitos encontros entre Gustavo e Môa. Inclusive, a última entrevista concedida pelo baiano foi justamente para o documentário. O diretor revelou ao g1 que a gravação não seria usada no material final, serviria de base apenas para a etapa de pré-produção. Com a morte do capoeirista, a conversa intimista em frente à câmera entrou para a história.
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