Cultura

Tati Quebra Barraco vai a delegacia depor após ser alvo de ofensas na web

10 de Janeiro de 2017 - Giovanna Reyner

O jovem de 19 anos foi morto a tiros durante uma operação da Polícia Militar, em dezembro, na Cidade de Deus, Zona Oeste da capital fluminense.

Tati Quebra Barraco chega à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática, no Rio, na manhã desta terça-feira, 10 (Foto: Roberto Teixeira/EGO)

Do Ego Tati Quebra Barraco chegou à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), no Rio, nesta terça-feira, 10, por volta de 9h30, para registrar queixa contra as ofensas que recebeu em suas redes sociais após a morte de seu filho, Yuri. O jovem de 19 anos foi morto a tiros durante uma operação da Polícia Militar, em dezembro, na Cidade de Deus, Zona Oeste da capital fluminense. "Vim lutar pelos meus direitos. As pessoas estão me agredindo. Em relação ao meu filho, a história quem sabe sou eu. Estudou nos melhores colégios particulares, tem casa própria. Não só o Yuri, como meus outros filhos. Só que as pessoas estão me agredindo. E não é legal", afirmou Tati. "As pessoas têm livre arbítrio para falar o que querem. Mas não podem chegar nas redes sociais e falar. Recebi muitas mensagens (ofensivas), só Jesus na causa", declarou. Questionada sobre o processo contra o Estado que pretende mover, Tati desconversou: "Estou aqui pelas ofensas a mim. Quem sabe do meu filho sou eu. Não estou querendo crescer por causa disso. Tive oportunidade de trabalhar e dar para os meus filhos o melhor. Agora é com a Justiça. As pessoas falam o que quer e agora têm que estar preparadas para receber", disse a cantora, que ao ser perguntada se teria ficado satisfeita com seu depoimento respondeu: "Fiquei. As pessoas podem falar o que querem, mas não precisam falar nas redes sociais. É complicado". Questionada ainda se acredita na justiça brasileira, ela se mostrou confiante. "Com certeza, Deus é mais", disse ao deixar a delegacia, por volta de 10h45. O advogado da funkeira, Jairo Magalhães, também conversou com o EGO. "É um absurdo que em pleno século 21 alguém seja vítima de algo do tipo. Ela ficou muito abalada. Esperamos que as pessoas envolvidas sejam punidas e responsabilizadas", comentou ele. Perfis já foram identificados Ao deixar o local, Jairo afirmou que os perfis responsáveis pelas ofensas na web já foram identificados. "Todas as pessoas são iguais. Ninguém pode chegar e injuriar e difamar pessoas, nem pela internet. E essas pessoas devem ser punidas. Elas já foram identificadas e vão ser chamadas. Desejamos que sejam punidas pela lei e com certeza serão. Esses [perfis] que identificamos não foram responsáveis por comentários racistas. Foi injuriando a pessoa Tati. Agora vai ter a quebra do sigilo e depois vamos para a Justiça para que a gente entre na esfera cível. Segundo ele, Tati ficou tranquila durante o depoimento: "Ela quer justiça, e com certeza terá". A delegada Fernanda Fernandes, responsável pela investigação, disse que "as pessoas que forem identificadas serão responsabilizadas pelo crime de injúria". Segundo ela, a pena pode chegar a seis meses. "Hoje a Tati procurou a delegacia para noticiar injúrias e ofensas com relação à morte do filho dela. Nós estamos agora instaurando inquérito e o próximo passo será a quebra de sigilo de dados para a gente identificar a autoria. É um caso de injúria e difamação", afirmou a delegada. "Vamos agora fazer o rastreamento para chegar nos perfis que ofenderam porque dentro dessas ofensas têm comentários que não são ofensivos e têm aqueles que são", finalizou. Entenda o caso Yuri Lourenço da Silva, de 19 anos, morreu no dia 11 de dezembro de 2016, após uma operação da polícia militar realizada na Cidade de Deus. Em seu perfil oficial no Twitter, a funkeira chegou a lamentar a morte do rapaz em desabafo emocionado. "Essa dor nunca irá cicatrizar", escreveu a cantora na ocasião. O velório e enterro do filho da funkeira, realizado no cemitério do Cemitério do Pechincha, na Zona Oeste do Rio, no dia 12 de dezembro, foi marcado pelo protesto da também filha de Tati, Ana Carolina. A jovem exibia um cartaz com a frase: "Não existe Justiça se o assassino tá fardado". Durante a cerimônia, Tati Quebra Barraco chegou a pedir para não ser fotografada durante enterro e evitou falar com a imprensa. Após a morte do filho, Tati passou a ser alvo de comentários ofensivos dos usuráios das redes sociais. Inclusive, supostas fotos do corpo de Yuri foram divulgadas de forma anônima na web. "A imagem do meu filho morto foi divulgada e até a minha cunhada, que mora na Holanda, recebeu a foto. Quem tirou a foto? Foi a médica que estava de plantão naquele momento? Não acredito que uma médica formada seria estúpida ao ponto de divulgar isso. É só pegar o celular dos policiais de plantão e fazer a perícia", disse a cantora ao EGO na época.

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