Dieese atesta que negros enfrentam desigualdades no mercado de trabalho
21 de Novembro de 2022 - Agência Brasil
O levantamento destaca ainda a desigualdade de gênero nas relações de empregabilidade.
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) confirma que persiste a desigualdade entre pessoas negras e não negras no mercado de trabalho brasileiro. O levantamento destaca ainda a desigualdade de gênero nas relações de empregabilidade.
De acordo com o levantamento, no segundo trimestre de 2022, as mulheres negras enfrentavam taxa de desocupação de 13,9%. Para os homens negros, a taxa era de 8,7%; para as não negras, de 8,9%; e para os não negros, a taxa foi a menor: 6,1%.
A desigualdade se repete na formalização dos contratos de trabalho. Segundo o Dieese, no segundo trimestre deste ano, mais de 30% do total dos ocupados se inseriram como assalariados com carteira. No entanto, entre o total de negras ocupadas, 31,5% tinham carteira assinada.
Já entre os homens negros ocupados, a proporção de trabalhadores formais era de 37,1%. O percentual é de 36,8% para mulheres não negras e de 39,6% para homens não negros.
Entre todos os segmentos populacionais, a proporção de negros em subocupação no segundo trimestre de 2022 foi maior também: 10% entre as negras ocupadas e 6,5%, entre os negros ocupados. Na mesma situação estavam 6,7% das mulheres não negras e 4,0% dos homens não negros.
São considerados subocupadas as pessoas que gostariam de ter jornada maior e têm disponibilidade para trabalhar mais, se houvesse oportunidade.
Diferença salarial
A pesquisa mostra que há diferença também nos salários. Os não negros recebem, em média, mais do que os negros. No segundo trimestre de 2022, enquanto o homem não negro recebeu, em média, R$ 3.708 e a mulher não negra, R$ 2.774, a trabalhadora negra ganhou, em média, R$ 1.715, e o negro, R$ 2.142.
Os números indicam que a mulher negra recebeu, no segundo trimestre, 46,3% do rendimento recebido pelo homem não negro. Para o homem negro, a proporção foi de 58,8%.
"A diferença entre os rendimentos de negros e não negros é constante nos dados do mercado de trabalho e precisa ser modificada a partir de políticas públicas e sensibilização da sociedade. Não importa somente elevar a escolaridade da população negra, mas sensibilizar a sociedade em relação à discriminação existente no mercado de trabalho, que penaliza parcela expressiva de brasileiros", destaca o texto da pesquisa. As informações são da Agência Brasil.
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