“Não vamos entregar nossa terra para eles destruírem”, desabafa sobrevivente de ataque a indígenas
08 de Dezembro de 2019 - Redação Pernambués agora
Sobrevivente do ataque a tiros no dia 1º de novembro na terra indígena Arariboia, no Maranhão, o “guardião da floresta” Laércio Guajajara, 34, está sob proteção do governo estadual numa cidade maranhense
Sua localização é mantida em segredo.
Ele tem uma bala alojada no corpo e disse à Folha de S.Paulo que vai haver “guerra” se a Justiça não tomar providências para conter a invasão da Arariboia. O indígena Paulo Paulino, 26, também “guardião”, foi assassinado com um tiro no ataque de novembro. Laércio narrou à reportagem sua trajetória e a situação tensa na região.
Confira:
“Nasci na aldeia do Funil, em Arariboia. Tenho três filhos. Eu tinha uns 16 anos quando ocorreu o assassinato do cacique Tomé [por madeireiros].
Eu não tinha muito interesse em lutar, mas depois que houve isso me deu uma vontade de ajudar na proteção da terra.
Eu via a exploração da terra. Muito caminhão saindo com madeira, com estacas, muita destruição. Quando começaram os “guardiões”, em 2013, eu me senti forte. Já estava com idade para lutar. Desde o início já começaram as ameaças. Participei da primeira ação dos “guardiões”.
Ocorreu depois que a gente foi à Funai pedir para eles nos ajudarem a defender a terra. Aí algum deles lá falou que a nossa terra “não tinha mais jeito”, que era para nós “largar de mão porque já era considerada perdida”.
Foi quando a gente ficou com muita raiva e decidiu que ia mostrar que na nossa terra também tinha guerreiro e não ia ser perdida como eles estavam dizendo.
A primeira ação foi nas aldeias Mucura e Bacabal, ao mesmo tempo. Pegamos dois caminhões. No primeiro dia quase teve conflito. Chegamos a pé e numas motinhas velhas. Éramos apenas seis no máximo. O Paulino também começou nesse dia. Quando abordamos os caminhões, ele chegou. Ele era muito criança [cerca de 15 anos] mas chegou com flechas e todo pintado. Não precisou chamar nem convidar ele.
Ele já teve essa atitude de guerreiro desde menino e nunca mais se separou da gente. Eu também estava com flecha, borduna, espingarda.
A minha vida de lá para cá mudou muito. Não tive mais liberdade para nada, nem de sair do território. A gente evita sair, é ameaçado de morte.
Sempre que um índio procura defender sua terra, vai ser procurado até ser morto pelos pistoleiros.
Isso não vai acabar se a Justiça não tomar de conta. Vai é piorar mais. Acho que vai ter uma guerra no futuro com o branco. Porque nós não vamos entregar nossa terra para eles destruírem. E eles não vão querer desistir de roubar o que é nosso.
Nós sempre falamos que nunca vamos desistir. Porque mais uma vida de um guerreiro foi matada dentro do território por defender a terra. Isso traz muita revolta para nós. Se não tiver Justiça, nós vamos continuar a guerra mesmo se matando com os brancos.
Comentários
Outras Notícias
Turnê de despedida de Gilberto Gil reúne mais de 1 milhão de fãs
01 de Abril de 2026Foto: @pridiabr
Butantan vai produzir imunoterapia contra o câncer para uso no SUS
01 de Abril de 2026Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Governo zera imposto sobre componentes de canetas emagrecedoras no país
01 de Abril de 2026Foto: Alana Dias / Bahia Notícias
Bahia registra mais de 208 mil doses aplicadas contra a gripe no Dia D
01 de Abril de 2026Foto: Leonardo Rattes
França critica decisão do COI de retomar testes de feminilidade nos Jogos de 2028
31 de Março de 2026Foto: Divulgação / olympics.com
Turista relata golpe de quase R$ 5 mil ao comprar queijo coalho em praia de Salvador
31 de Março de 2026Foto: Imagem Ilustrativa. Leitor BN
Vídeos
Vídeo: Bolsonaro dá chilique em entrevista após TSE decretar sua inelegibilidade por 8 anos
30 de Junho de 2023
Motociclista entra em contramão e bate de frente com outra moto no interior da Bahia; veja o...
28 de Fevereiro de 2023