Parlamentares da bancada negra dos EUA visitarão terreiro em Salvador
11 de Março de 2024 - Redação Pernambués agora
O acordo foi fechado entre Brasil e Estados Unidos em 2008 para estabelecer esforços conjuntos de combate ao racismo / Foto Sydney Kamlarge Dove
O Brasil vai receber, entre os dias 24 e 29 de março, uma delegação de congressistas da bancada negra dos Estados Unidos. Na oportunidade, após visitar um quilombo em Brasília, ter reuniões com o governo e parlamentares, o grupo finalizará a agenda em um terreiro em Salvador. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
Ainda conforme a publicação, o objetivo é chamar a atenção para o Japer, sigla para Plano de Ação Conjunta para Eliminar a Discriminação Racial e Étnica, e discutir sua implementação. O acordo foi fechado entre Brasil e Estados Unidos em 2008 para estabelecer esforços conjuntos de combate ao racismo.
Integram a comitiva os deputados Sydney Kamlager-Dove, também presidente da bancada brasileira no Congresso dos EUA, e Jonathan Jackson. Eles serão acompanhados por representantes do Fundo de Defesa Legal da Naacp, organização histórica do movimento negro americano, da Mothers Against Police Brutality (mães contra a brutalidade policial) e da Universidade Howard.
“Estamos em um momento estratégico de saber com as autoridades o que eles vão fazer com todos os documentos que foram produzidos em 2022 e 2023, e pensando que ainda temos mais dois anos de governo Lula pela frente”, diz Rodnei Jericó da Silva, diretor do Programa Brasil no Instituto Internacional sobre Raça, Igualdade e Direitos Humanos, organização que está bancando a comitiva.
SALVADOR
A comititva estará na capital baiana de 27 a 29 de março. No período, vão se encontrar com políticos locais e candidatos nas eleições municipais, segundo Rodnei, visando discutir a violência política contra negros e indígenas.
Pela tarde, os congressistas irão para um evento na Universidade Estadual da Bahia (Uneb), do qual devem participar – do lado brasileiro – organizações como Criola, Geledés, CEN (Coletivo de Identidades Negras), AMIM (Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão), Fundação Steeve Biko, Selo Juristas Negras e da Defensoria Pública da Bahia (DPE-BA).
A visita terminará com uma visita ao terreiro Mãe Jaciara, no bairro de Paripe, com o objetivo de discutir racismo religioso no Brasil. Apesar desse tema não fazer parte do Japer, Rodnei considera importante abordá-lo, na ocasião.
“Os negros brasileiros e os negros americanos continuam sofrendo racismo e injustiça agudos, ecoando a discriminação profundamente enraizada, a negação de direitos e os abusos que se estendem por séculos”, diz Janai Nelson, presidente e diretor-conselheiro do Fundo de Defesa Legal da Naacp.
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